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Mato Grosso vai ampliar vacinação contra o sarampo em crianças de 6 meses a menores de um ano

Mato Grosso vai ampliar vacinação contra o sarampo em crianças de 6 meses a menores de um ano

Data de Publicação: 22 de agosto de 2019 Mesmo fora do quadro dos estados brasileiros com o surto da doença, o Governo Federal orientou MT a reforçar as medidas de prevenção, investigar e realizar o bloqueio vacinal em casos suspeitos

Fernanda Nazário | SES-MT

Estado tem 150.433 mil doses da vacina tríplice viral para atingir uma meta mensal de cerca de 2.300 crianças que se encaixam nessa faixa etária

- Foto por: Secom MT

Conforme orientação do Ministério da Saúde, Mato Grosso deve ampliar nos próximos dias a vacinação com a tríplice viral, que protege contra o sarampo, para as crianças de seis meses a menores de um ano, faixa etária mais exposta para contrair a doença.  

A medida foi anunciada pelo secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Wanderson Oliveira, e deve ser adotada por todos os estados brasileiros diante da situação de perigo iminente de ampliação da circulação do vírus no país.

A proposta do Governo Federal é alcançar 1,4 milhão de crianças que não receberam a dose extra – chamada de “dose zero” –, além das previstas no Calendário Nacional de Vacinação, aos 12 e 15 meses. Para isso, será enviado 1,6 milhão de doses a mais para os estados.

A vacina para crianças de seis meses a menores de um ano não fazia parte do calendário básico de vacinação do Brasil, mas em decorrência de essa faixa etária ser mais suscetível a casos graves e óbitos, foi necessário a ampliação do público alvo como medida preventiva.

Conforme a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde, Alessandra Cristina Ferreira, Mato Grosso ainda não recebeu as doses extras. “A Secretaria está aguardando uma nota técnica do Ministério informando qual será a quantidade das doses adicionais enviadas a Mato Grosso e quando elas devem ser encaminhadas para nós”.

Atualmente, o estado tem 150.433 mil doses da vacina tríplice viral para atingir uma meta mensal de cerca de 2.300 crianças que se encaixam nessa faixa etária. Após o envio das doses extras, esse número deve aumentar.

Ação de resposta

A intensificação da vacina é uma ação de resposta imediata do Ministério da Saúde em decorrência do aumento de casos da doença em alguns estados. Nesta terça-feira (20.08), o Ministério da Saúde divulgou novo boletim com os casos de sarampo. O Brasil registrou, nos últimos 90 dias, entre 19 de maio a 10 de agosto de 2019, 1.680 casos confirmados de sarampo, em 11 estados: São Paulo (1.662), Rio de Janeiro (6), Pernambuco (4), Bahia (1), Paraná (1), Goiás (1), Maranhão (1), Rio Grande do Norte (1), Espírito Santo (1), Sergipe (1) e Piauí (1).

Mato Grosso não está no rol dos estados críticos, já que não houve nenhum registro da doença no Estado nos últimos 19 anos. De acordo com a gerente de Vigilância em Doenças e Agravos Endêmicos da SES-MT, Alba Valéria Gomes, em 2018 e 2019, ocorreram apenas quatros casos suspeitos de sarampo, investigados e descartados por critério laboratorial.

Mesmo fora do quadro dos estados brasileiros com o surto da doença, o Ministério da Saúde orientou Mato Grosso e os demais estados com situação epidemiológica controlada a reforçar as medidas de prevenção, investigar e realizar o bloqueio vacinal em casos suspeitos.

Para manter o status de livre do sarampo, Alba explica que o estado já fez alertas para intensificação das medidas de prevenção e aprimoramento da vigilância e está trabalhando na construção do Plano de Sustentabilidade da Eliminação do Sarampo.

“Está programada também uma web aula da imunização, vigilância epidemiológica e laboratorial do Sarampo para profissionais e municípios. No curso, vamos abordar ainda os aspectos clínicos e vigilância para os profissionais médicos”, informa a gerente.

A fim de monitorar o trabalho de prevenção e o avanço da doença no país, o Ministério se comprometeu, durante reunião online, realizada na segunda-feira (19) com a equipe técnica da SES-MT, a realizar semanalmente uma reunião virtual com as Secretarias Estaduais de Saúde e a divulgar boletins epidemiológicos semanalmente.

Prevenção

Quanto às medidas de prevenção, a vacina tríplice viral é a forma mais segura de prevenir o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba. Nas unidades municipais de Saúde, a vacina tríplice viral está prevista para pessoas com um ano de idade e o reforço aos 15 meses com a tetra viral, integrando a rotina do calendário da criança, adolescente e adultos seletivamente.

De acordo com o Programa Nacional de Imunização (PNI), crianças de 12 meses a menores de 5 anos de idade, devem tomar as duas doses: tríplice viral e tetra viral. Para crianças de 5 anos a 9 anos de idade que perderam a oportunidade de serem vacinadas anteriormente, duas doses da vacina tríplice. Para pessoas de 10 a 29 anos, o ideal são duas doses da vacina tríplice viral; de 30 a 49 anos, uma dose da vacina tríplice viral.

Quem comprovar a vacinação contra o sarampo, não precisa receber a vacina novamente. A vacina tríplice viral não é recomendada para crianças menores de seis meses, gestantes e indivíduos que apresentem contraindicações.

Quanto ao profissional de saúde, a SES-MT alerta para médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, técnicos, voluntários, estagiários, funcionários administrativos e funcionários de serviços ambientais, que têm um risco maior de exposição ao sarampo e de transmissão do vírus às pessoas.

Todos os profissionais de saúde devem ter duas doses da vacina que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola. Portanto, é fundamental a revisão imediata da situação vacinal do sarampo entre as equipes e da vacinação dos trabalhadores de saúde sem evidência de imunidade.

Todo caso suspeito de sarampo e rubéola é de notificação imediata (24H) e investigação do caso (48h) com bloqueio vacinal (72h), assim como a solicitação de exame para sorologia e isolamento viral.

Sobre o sarampo

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, podendo evoluir para complicações graves e óbitos. A doença é transmitida por meio das secreções expelidas pelo doente ao falar, tossir e espirrar. O comportamento endêmico/epidêmico do sarampo varia de um local para outro e depende basicamente da relação entre o grau de imunidade e a suscetibilidade da população, bem como da circulação do vírus na área.

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