Projeto contemplado em edital da Secel digitaliza acervo de cineasta Xavante e preserva memória indígena em MT
Data de Publicação: 10 de abril de 2026 17:17:00 Iniciativa reúne e organiza registros audiovisuais feitos ao longo de três décadas pelo cineasta Divino Tserewahú
Cida Rodrigues | Secel-MT
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O projeto “Memória e Ancestralidade: Cosmologia indígena & imagem em movimento” assegurou a preservação do acervo de imagens da cultura do povo Xavante, com a digitalização dos registros feitos ao longo de mais de 30 anos pelo cineasta indígena Divino Tserewahú, na Terra Indígena de Sangradouro. A iniciativa foi contemplada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) no edital Cinemation de Acervo/Publicação – edição Lei Paulo Gustavo.
O material digitalizado foi entregue, nesta quinta-feira (9.4), ao Museu de História Natural do Araguaia, em Barra do Garças, e também será devolvido ao cineasta e à comunidade de Sangradouro. As imagens documentam rituais, costumes e falas de anciãos e lideranças, muitos deles já falecidos.
De acordo com o idealizador do projeto, o produtor audiovisual Rodrigo Pereira Teodoro, parte dos registros retrata práticas que já não são mais realizadas, o que amplia o valor histórico e cultural do material. “O projeto representa um passo importante na preservação da memória do povo Xavante e na valorização da produção audiovisual dos povos originários”, destaca.
Rodrigo também explica que, sem a digitalização, parte da história e de práticas rituais da comunidade de Sangradouro corriam sério risco de serem definitivamente danificadas. “Essas imagens guardam registros relevantes, de valor histórico, cultural e para a memória da própria comunidade. A digitalização contribui para resguardar essa memória histórica”.
Com trabalho técnico detalhado, o processo de digitalização contou com curadoria e tratamento do material bruto. Foram utilizados diferentes aparelhos para garantir a reprodução e a padronização das imagens, já que foram gravadas em formatos em formatos analógicos, em equipamentos como VHS, Mini-DV, Betacam e Hi-8.
Ao Museu de História Natural do Araguaia foram entregues as imagens autorizadas para uso de pesquisadores e estudantes. O material também passará a integrar o acervo do Cineclube Coxiponés, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Originalmente gravados na língua Xavante, parte dos conteúdos conta com legendas em português, ampliando o acesso do público em geral.
“O maior impacto é o pertencimento. Com esse acervo disponível, a comunidade passa a ter acesso direto às suas referências culturais, podendo manter vivas suas tradições e até retomar práticas que foram se perdendo ao longo do tempo”, conclui Rodrigo Pereira Teodoro.
(Com informações da Assessoria)
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