MP aponta para risco de fuga dos acusados e medo das testemunhas
Data de Publicação: 17 de março de 2020 15:24:00 Ministério Público pediu à Justiça que Tribunal do Júri não seja realizado em Colniza, local do crime
Repórter MT
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Casal encomendou a morte do prefeito
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Ministério Público do Estado pede que o julgamento popular dos acusados de matar o prefeito de Colniza, Esvandir Antonio Mendes, em dezembro de 2017, seja realizado em outro município. Respondem pelo crime Yana Fois Coelho Alvarenga e Antônio Rodrigues Pereira Neto. O pedido de desaforamento do Tribunal do Júri é justificado pelo medo das testemunhas e pelo risco de fuga da dupla. Os dois também foram denunciados os crimes de tentativa de homicídio praticado contra o ex-secretário municipal Ademir Ferreira dos Santos, sua ex-companheira, Rosimeire Costa e Walison Jones Machado Lara. A dupla responde ainda por associação criminosa, receptação, corrupção de menores e crime de trânsito.
No pedido de desaforamento, o Ministério Público argumenta que o “interesse da ordem pública e a dúvida na imparcialidade dos jurados não possibilitam o julgamento justo na Comarca de Colniza dos réus”. Ele afirma que os crimes imputados a eles, tiveram enorme repercussão estadual e nacional, o que coloca em xeque a imparcialidade do julgamento.
O MPMT enfatiza também que em novembro do ano passado vários jurados que foram intimados para participar das sessões de julgamento manifestaram, informalmente, o desejo de não participar de eventual julgamento com temor dos acusados. “Os jurados de Colniza estão apreensivos e extremamente receosos em participar do julgamento dos reús Yana Fois e Antônio Rodrigues, assim, não se trata de mera ilação do Ministério Público, estando comprovada a ausência de imparcialidade de eventual Conselho de Sentença para proferir o verdicto neste caso, diante do temor que os acusados oferecem à sociedade colnizense”, afirmou.
Foi citado ainda o risco da tentativa de plano de fuga dos acusados, com possibilidade de conflito armado, devido à ausência da segurança necessária para realização do julgamento. “Já há histórico de plano de fuga de ambos os acusados. Deve ser considerado que no trajeto de Juína a Colniza, existe aproximadamente 270 Km de estrada de chão, com mais de 80 pontes de madeira, o que facilita a execução de qualquer plano de fuga, pois o automóvel necessita diminuir a velocidade para atravessar as pontes de madeiras”.
Consta no pedido do MP que o réu Antonio Pereira Rodrigues é conhecido como “prefeito” dentro da cadeia pública de Juína. E a acusada Yana Fois já foi surpreendida duas vezes, no ano de 2018, com celulares dentro do presídio em Cuiabá.
Entenda o crime
O crime aconteceu em dezembro de 2017, no município de Colniza. O prefeito conduzia uma Toyota SW4 preta quando foi interceptado pelos criminosos, cerca de 7 quilômetros da entrada da cidade.
O veículo foi ao encontro da caminhonete, momento que foram efetuados vários disparos contra o prefeito Esvandir que ainda conseguiu dirigir, mas morreu no perímetro urbano, na BR 174, esquina com a Rua 7 de Setembro. Outros dois disparos feriram o secretário Admilson Ferreira dos Santos, sendo um na perna esquerda e outro nas costas.
São réus no processo a médica Yana Fois Coelho Alvarenga e o marido dela, Antônio Pereira Rodrigues Neto. A médica tinha uma empresa que teve o contrato cancelado com a prefeitura, o que pode ter motivado a execução.
As investigações apontam que ela, por meio do marido, orquestrou o crime, ao contratar Welison Brito Silva e Zenilton Xavier de Almeida – que mataram o prefeito. Ambos também estão presos. Os motivos seriam questões "políticas e pessoais".
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