Júlio reconhece que pode ter tentado tirar contrabandista de munição da prisão
Informação foi revelada por reportagem do The Intercept, com base em dossiês produzidos há 30 anos pelo Serviço Nacional de Informações (SNI).
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MARCIO CAMILO |
RepórterMT
Em 1981 Júlio Campos era deputado federal pelo PDS, e líder da bancada do Estado em Brasília.
O ex-governador Júlio Campos (DEM) disse que não se lembra, mas pode ter atendido pedido para tirar da prisão um homem acusado por contrabando de munição, no ano de 1981, durante a ditadura militar, conforme reportagem do site The Intercept Brasil. O texto é baseado em relatórios do Serviço Nacional de Informações (SNI) que se tornaram públicos em 2005, depois de 30 anos de sigilo.
"Pode ser que naquela época, em 79, há quarenta anos, eu como político de Mato Grosso, fui solicitado por alguém para interceder por esse cidadão [suspeito de contrabando]", disse Júlio em conversa com jornalistas na tarde desta segunda-feira (08).
O democrata ponderou, no entanto, que se de fato intercedeu pelo preso, não sabia quem era e que provavelmente "pode ter" atendido a um político do interior do Estado. Em 1981, Júlio era deputado federal pelo PDS, e líder da bancada do Estado em Brasília.
"Quem é político recebe pedido difíceis e complicados, como pode ser esse caso. Eu não vou negar que talvez eu pedi, né? Mas não sei quem era e nem qual era a razão. Fui saber agora [pela reportagem do The Intercept]", destacou.
"Pedido a gente recebe de tudo quanto é tipo. Quem é político recebe pedidos difíceis e complicados, como pode ser esse caso. Eu não vou negar que talvez eu pedi, né? Mas não sei quem era e nem qual era a razão. Fui saber agora [pela reportagem do The Intercept]", destacou a liderança democrata.
Júlio ressaltou ainda que naquele tempo a Polícia Federal tinha o costume "de prender qualquer um, sem dar razões", e que os políticos, muita vezes, intervinham nos processos.
"Nós políticos democráticos, que estávamos abrindo a democracia no Brasil, durante os governos do presidente [Ernesto] Geisel (1974 a 1979] e [João Batista] Figueiredo (1979 a 1985], a gente procurava dar o máximo de abertura a favor de quem estava preso abruptamente", destacou.
"A Polícia Federal não tinha relações públicas como tem hoje. Naquele tempo era truculência pra valer. Você era preso como um animal e advogado não podia chegar perto", acrescentou.
Reiterou que não conhecia o suspeito de contrabando de munições e acrescentou que, pela sua história, "nunca foi de seu feitio intervir a favor de bandido".
"Eu não conheço esse pessoal, não lembro e confesso para você que, dificilmente eu iria proteger um bandido, não é do meu feitio. Vocês sabem, eu tenho quase 50 anos de carreira pública, não fui processado por nada de ilegal nesse Estado e nem na federação brasileira", disse Júlio aos jornalistas.
Entenda
Trecho da reportagem do The Intercept afirma que em 22 de junho de 1981, “um suspeito foi preso em flagrante por contrabando de munição”. Segundo o texto, dois dias após a prisão, Júlio Campos, então deputado federal, teria procurado a PF para pedir a liberação do acusado.
O The Intercept destaca que o pedido de Júlio foi negado pelos agentes “com a justificativa de que a decisão de soltura caberia ao juiz federal responsável pelo caso”.
Reportagem do The Intercept
Os documentos do SNI, divulgados pelo Intercept, ligam pela primeira vez políticos da ditadura ao tráfico de drogas e contrabando de armas.
Conforme a reportagem, os dossiês, à época sigilosos, "revelam que políticos apoiados pelo regime eram amigos, aliados e até irmãos de traficantes e contrabandistas que atuavam em Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul".
Leia a reportagem na íntegra AQUI
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