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Massacre que matou 3,5 mil indígenas em Mato Grosso segue sem respostas mais de 60 anos depois

Massacre que matou 3,5 mil indígenas em Mato Grosso segue sem respostas mais de 60 anos depois

Data de Publicação: 12 de julho de 2026 22:37:00 Conhecido como Massacre do Paralelo 11, episódio ocorrido em 1963 é apontado como um dos maiores crimes contra povos indígenas no Brasil e permanece fora dos livros de História.

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Redação com Mídia News

Reprodução

Um dos episódios mais violentos da história de Mato Grosso continua cercado por silêncio e lacunas históricas. Conhecido como Massacre do Paralelo 11, o ataque ocorrido em 1963 teria resultado na morte de cerca de 3,5 mil indígenas do povo Cinta Larga, em uma ação marcada por envenenamentos, bombardeios e execuções, durante o avanço da exploração econômica no noroeste do Estado.

Mais de seis décadas depois, o caso ainda não possui responsáveis condenados, o local exato da tragédia permanece desconhecido e o episódio raramente é mencionado em materiais didáticos ou obras sobre a história mato-grossense.

Segundo informações do MídiaNews, parte dessa história foi resgatada pelo professor e pesquisador Julio César dos Santos em sua tese de doutorado intitulada A fronteira como lugar das diferenças: Rikbaktsa entre a Igreja e o Estado (1930-1985), desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). 

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Durante a pesquisa, o historiador reuniu documentos preservados pela Prelazia de Diamantino, atualmente sob guarda da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), além de entrevistas com indígenas Rikbaktsa que vivenciaram aquele período. Segundo ele, o massacre ocorreu em meio ao processo de ocupação econômica da Amazônia, impulsionado pela exploração da borracha, madeira e minérios.

De acordo com os documentos analisados, o ataque foi planejado. Relatórios de missionários jesuítas apontam que aeronaves lançaram açúcar misturado com arsênio sobre aldeias indígenas. Sem saber que se tratava de veneno, os moradores consumiram o alimento. Em seguida, as aldeias teriam sido bombardeadas e os sobreviventes perseguidos por grupos armados contratados para concluir a execução.

Arquivo

Julio César dos Santos, professor e pesquisador que contou histório do massacre

Para Julio César dos Santos, o episódio representa uma  política de extermínio voltada à ocupação econômica da região.

"O Massacre do Paralelo 11 foi uma limpeza étnica. O objetivo era eliminar os indígenas para tornar viável a exploração econômica daquele território", afirmou o pesquisador.

Segundo a pesquisa, os conflitos entre indígenas e seringueiros já vinham ocorrendo desde o fim da década de 1950. Há registros de diversos confrontos antes do massacre, motivados pelo avanço de empresas sobre territórios tradicionalmente ocupados pelos povos Cinta Larga e Rikbaktsa.

Os documentos também relatam episódios de extrema violência contra indígenas, incluindo assassinatos de mulheres, crianças e idosos. Em um dos relatos, uma mulher grávida teria sido morta de forma brutal e fotografada pelos agressores. Em outro, uma criança foi executada após tentar fugir de um seringueiro que inicialmente pretendia levá-la consigo.

Apesar da gravidade dos fatos, ainda existem diversas dúvidas sobre o episódio. Não há consenso sobre a participação de agentes públicos na operação nem documentos oficiais que permitam confirmar eventual envolvimento de militares ou aeronaves governamentais. Também permanecem sem resposta questões relacionadas à investigação e à responsabilização dos autores do massacre.

A denúncia só veio à tona em 1964, quando um dos jagunços que participaram da ação procurou uma delegacia alegando que não havia recebido pelo serviço executado. A repercussão internacional ocorreu apenas em 1967, quando o caso passou a ser investigado pela Polícia Federal e chegou ao conhecimento da Interpol. Mesmo assim, ninguém foi responsabilizado criminalmente.

Para o pesquisador, preservar a memória do Massacre do Paralelo 11 é fundamental para compreender o processo de ocupação do noroeste de Mato Grosso e a violência imposta aos povos originários ao longo da expansão econômica da região. 

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"É um grande equívoco esse episódio não ser tratado como referência histórica. Você procura nos livros de História de Mato Grosso e não encontra nada. É um apagamento total", concluiu.

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